Neste artigo, apresentaremos os dez golpes mais comuns aplicados na internet em 2026 e forneceremos orientações práticas sobre como evitar as armadilhas criadas por estelionatários cada vez mais criativos, como se proteger e quais medidas adotar caso venha a ser vítima dessas fraudes.
Começaremos pelo golpe que, segundo matéria publicada por órgãos governamentais, já causou prejuízos estimados em mais de US$ 75 bilhões em todo o mundo. Aqui no Brasil, entre os casos conduzidos por este escritório, trata-se de uma fraude que já vitimou diversas pessoas, algumas delas com prejuízos superiores a 1 milhão de reais. Leia com atenção o golpe número 1 desta lista.
1. GOLPE DO FALSO INVESTIMENTO EM CRIPTOMOEDAS, CONHECIDO TAMBÉM COMO GOLPE DO ABATE DO PORCO (PIG BUTCHERING SCAM)
(Atenção, você pode estar sendo vítima desse golpe neste exato momento)
O golpe do falso investimento em criptomoedas, também conhecido internacionalmente como Pig Butchering Scam (“Golpe do Abate do Porco”), teve origem na China, espalhou-se pelo sudeste asiático e, posteriormente, passou a fazer inúmeras vítimas na Europa, nos Estados Unidos e também no Brasil. Trata-se de uma das fraudes financeiras mais sofisticadas da internet. O nome faz referência à estratégia utilizada pelos criminosos: eles conquistam gradualmente a confiança da vítima (engordando-a), incentivando investimentos cada vez maiores, para somente depois aplicar o golpe final.
Na maioria dos casos, o primeiro contato ocorre por WhatsApp, Telegram, Instagram, Facebook, aplicativos de relacionamento ou anúncios patrocinados. O golpista utiliza uma identidade falsa e, durante dias ou semanas, constrói uma relação de confiança, criando uma falsa amizade, relacionamento amoroso ou parceria profissional.
Após consolidar esse vínculo, surge a suposta oportunidade de investimento, normalmente apresentada por uma empresa supostamente sediada no exterior, que conta com a figura de um mentor ou professor responsável pelas recomendações financeiras e uma assistente encarregada do suporte aos investidores. A vítima é então convidada para grupos exclusivos de investidores, onde integrantes da própria organização criminosa simulam operações lucrativas, exibem ganhos expressivos e compartilham comprovantes falsos de “lucros” para transmitir credibilidade e legitimidade ao esquema.
Em seguida, orientam a criação de uma carteira digital, como Trust Wallet, OnChain ou MetaMask, ou de uma conta em corretoras legítimas, como Binance, Mercado Bitcoin, Coinbase, Nubank, Bybit, entre outras. Após isso, a vítima é instruída a adquirir criptomoedas, geralmente USDT ou USDC, ou a realizar transferências via PIX ou TED para contas bancárias de terceiros, muitas vezes utilizadas como contas de passagem ou registradas em nome de laranjas, com a finalidade de realizar os primeiros aportes no suposto investimento.
Logo depois, a vítima recebe um link para um site ou é orientada a baixar um aplicativo que aparenta ser uma plataforma (corretora) profissional de investimentos. Embora visualmente convincente, trata-se de um ambiente fraudulento. Em dado momento, a vítima é instruída a transferir suas criptomoedas para um endereço blockchain informado pelos golpistas ou disponível em sua carteira falsa. Sem perceber, é nesse momento que perde seus criptoativos.
À medida que os aportes são realizados, o valor investido e o suposto lucro são exibidos na carteira falsa. Contudo, todos os números apresentados nessa carteira são fictícios. Em muitos casos, o endereço “on-chain” é exibido como sendo da própria vítima, quando, na realidade, pertence aos estelionatários.
A audácia dos estelionatários não para por aí. Para reforçar a credibilidade da fraude, é comum permitirem um ou dois saques de pequeno valor. Isso reduz a desconfiança e incentiva novos aportes. Com o tempo, a plataforma passa a exibir rendimentos extraordinários, levando a vítima a investir quantias cada vez maiores, muitas vezes utilizando economias, patrimônio ou até empréstimos bancários.
Eis que chega o choque de realidade. Quando a vítima tenta sacar valores mais elevados, surgem novas exigências: taxas de saque, taxas de gás, impostos, geralmente em torno de 20%, auditorias ou supostas liberações financeiras. Em alguns casos, os estelionatários oferecem pagar metade da taxa para que a vítima arque apenas com os outros 50% da cobrança. Cada pagamento gera uma nova exigência, até que a plataforma desaparece, os contatos são bloqueados e a vítima percebe que foi enganada.
A engenharia social e a sofisticação desse golpe são tão eficazes porque não exploram apenas o desejo de lucro, mas também fatores emocionais profundos. Os criminosos manipulam sentimentos de confiança, afeto, exclusividade e pertencimento, além de criarem a sensação de uma oportunidade única de mudança de vida, tornando a fraude extremamente difícil de ser identificada, até mesmo por pessoas experientes, instruídas e financeiramente bem-sucedidas.
Prevenção: desconfie de qualquer oportunidade de investimento recebida por mensagem, rede social ou aplicativo de relacionamento. Nenhum investimento legítimo oferece lucro garantido ou retornos elevados sem risco. Antes de transferir qualquer valor, pesquise a empresa, consulte profissionais qualificados e verifique a legitimidade da plataforma. Caso haja pressão para investir rapidamente ou manter sigilo sobre a operação, considere isso um forte sinal de fraude.
Se você foi vítima ou acredita estar sendo vítima desse sofisticado golpe, especialmente se está enfrentando dificuldades para sacar valores ou recebendo cobranças de supostas taxas para liberação de recursos, impostos, auditorias ou desbloqueio da conta, interrompa imediatamente qualquer novo depósito. Em muitos casos, essas cobranças fazem parte da própria fraude e têm como único objetivo ampliar ainda mais o prejuízo da vítima.
Mas acalme-se, nem tudo está perdido. Se você está passando por essa situação, será fundamental contar com o apoio de um advogado especialista em Direito Digital e Criptoativos para analisar o caso e adotar as medidas cabíveis, visando à reparação dos danos materiais e morais decorrentes dessa sofisticada fraude.
2. GOLPE DO FALSO ADVOGADO
Os estelionatários pesquisam processos na internet, descobrem o tipo de ação, o escritório de advocacia responsável e o telefone do cliente. Então, enviam uma mensagem de um número de WhatsApp contendo a logomarca do escritório ou a foto do advogado, acompanhada de informações reais do processo.
Em seguida, informam que houve êxito na ação, liberação de valores ou alguma movimentação urgente, alegando que, para receber a indenização, é necessário realizar o pagamento de uma taxa, imposto, guia judicial ou custo de “levantamento do alvará”. Devido ao conhecimento detalhado sobre você e seu processo, a abordagem pode parecer legítima, levando a vítima a realizar Pix ou pagamentos de valores elevados.
Para aumentar a credibilidade da fraude, os criminosos costumam enviar cópias de documentos processuais, decisões judiciais, alvarás, comprovantes falsos e até áudios se passando pelo advogado ou por integrantes do escritório. Também é comum criarem um forte senso de urgência, afirmando que o valor será perdido, devolvido ao juízo ou bloqueado caso o pagamento não seja realizado imediatamente, reduzindo a capacidade da vítima de verificar a veracidade das informações.
Prevenção: Caso receba uma abordagem desse tipo, jamais realize os pagamentos solicitados. Antes de qualquer transferência, entre em contato diretamente com o número oficial do seu advogado ou do escritório de advocacia e confirme a autenticidade das informações recebidas. Desconfie especialmente de mensagens que solicitem Pix para pessoas físicas, contas desconhecidas ou pagamentos urgentes sob a justificativa de liberação de valores judiciais.
3. GOLPE DA FALSA CENTRAL DO BANCO
Ligarão informando que foi realizada uma compra no seu cartão de crédito e que estão tentando transferir o saldo de sua conta corrente. Para impedir essa ação, solicitarão que você realize um PIX para a central de proteção ao cliente, com a promessa de que será estornado, ou pedirão para instalar um aplicativo de “segurança” que permitirá acesso remoto ao seu smartphone.
Prevenção: Não transfira e não permita a instalação de aplicativo algum. Desligue a ligação e verifique suas transações no aplicativo do seu banco.
4. GOLPE COM INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E USO DE DEEP FAKE
Os golpistas utilizarão tecnologia de inteligência artificial para criar vídeos ou áudios falsos (deep fakes) de pessoas conhecidas, como familiares, amigos ou até mesmo, figuras de autoridade, solicitando transferências de dinheiro ou informações sensíveis. Esses vídeos ou áudios serão extremamente convincentes, imitando perfeitamente a voz e a aparência da pessoa em questão. A mensagem pode ser enviada por e-mail, redes sociais ou aplicativos de mensagens instantâneas, pedindo urgência na ação solicitada.
Prevenção: Crie uma senha e uma contra-senha, como, por exemplo, o nome do primeiro cachorro, em conjunto com seus familiares, e solicite essa informação sempre que desconfiar de um golpe. Desconfie de situações urgentes e entre em contato diretamente com a pessoa por meio de um canal confiável. Sempre que possível, utilize softwares para identificar deep fakes.
5. GOLPE DO CÓDIGO DE VERIFICAÇÃO DO WHATSAPP
Neste golpe, o estelionatário entra em contato com a vítima alegando a necessidade de confirmar um cadastro, validar um anúncio publicado na OLX ou em outros sites, resolver um problema de segurança ou recuperar uma conta. Após confirmar alguns dados pessoais, solicita o código de seis dígitos recebido por SMS. Na realidade, esse código permite o acesso da conta do WhatsApp em outro dispositivo.
Ao fornecer o código, a vítima perde o acesso à própria conta, enquanto o criminoso passa a utilizá-la para contatar familiares, amigos e conhecidos. Geralmente, solicita o pagamento de boletos ou transferências via Pix, alegando dificuldades momentâneas de acesso ao banco, urgência financeira e promessa de devolução do valor no dia seguinte.
Prevenção: nunca informe códigos de verificação, autenticação ou segurança recebidos por SMS ou aplicativos. Ative a verificação em duas etapas do WhatsApp e desconfie de pedidos de dinheiro enviados por mensagens, mesmo quando aparentem partir de pessoas conhecidas. Antes de efetuar qualquer pagamento, confirme a solicitação por ligação telefônica ou outro canal seguro.
6. GOLPE DA EXPIRAÇÃO DE PONTOS DE CARTÃO DE CRÉDITO
Você receberá um SMS com um link informando que seus pontos expirarão em 24 horas. Ao clicar no link, eles serão notificados e ligarão para você, orientando-o em um passo a passo para realizar o resgate dos pontos. Caso não haja saldo em conta corrente, eles o guiarão para a contratação de um empréstimo e, posteriormente, para a realização de um PIX com “garantia” de estorno.
Prevenção: Desligue a ligação, jamais clique em links duvidosos recebidos via SMS e faça a conferência dos seus pontos nos aplicativos oficiais.
7. GOLPE DO FALSO LEILÃO
Criarão anúncios fraudulentos em sites de buscas sobre leilão de veículos. Ao clicar e realizar o cadastro, você será direcionado para uma página de lances. Ao efetuar o lance, ocorrerá uma falsa arrematação. Em seguida, eles entrarão em contato parabenizando e informando os dados bancários para pagamento em caráter de urgência para a consequente retirada do veículo.
Prevenção: Ao realizar buscas na internet, desconfie de links patrocinados (geralmente são os primeiros resultados), pois nem sempre serão legítimos e não saia fazendo cadastros aleatoriamente.
8. GOLPE DO FALSO EMPRÉSTIMO
Os fraudadores criam sites e anúncios atrativos, frequentemente usando nomes de bancos famosos ou entidades como a Receita Federal ou o Banco Central. A vítima, sem perceber a fraude, realiza um “cadastro” e fornece seus dados pessoais. Os golpistas, então, entram em contato ofertando um empréstimo pré-aprovado em condições tentadoras. Para concluir, solicitam um termo de confissão de dívida pública ou um depósito inicial, justificando como taxa ou outra razão. Após o primeiro depósito, continuam pedindo mais valores, prolongando o golpe ao máximo.
Prevenção: Desconfie de propostas tentadoras (quando a esmola é demais, o santo desconfia) e de cobranças urgentes para realizar qualquer pagamento. Além disso, sempre verifique a URL dos sites acessados.
9. GOLPE DO FALSO INVESTIMENTO APÓS INVASÃO DE CONTA EM REDE SOCIAL
Após hackearem uma conta de rede social, os invasores começarão a postar no feed e nos stories, exibindo supostos retornos financeiros acompanhados de comprovantes falsos de recebimentos de PIX, utilizando fotos e vídeos do usuário da conta. Em seguida, enviarão esses resultados por mensagens privadas, convidando as pessoas a investirem, por exemplo, R$1000,00 para ganharem R$3000,00, novamente apresentando comprovantes falsos de recebimentos de PIX.
Prevenção: Sempre que observar esse tipo de comportamento em uma rede social, desconfie, não interaja e avise o usuário da conta invadida por outro meio de comunicação.
10. GOLPE DA FALSA VENDA DE PRODUTOS APÓS INVASÃO DE CONTA EM REDE SOCIAL
Depois de invadirem uma conta de rede social, os estelionatários começarão a postar no feed e nos stories, oferecendo venda produtos, como eletrônicos, móveis e eletrodomésticos, a preços muito atraentes, utilizando fotos e vídeos da pessoa que teve sua conta invadida. Em seguida, enviarão essas ofertas por mensagens privadas, oferecendo descontos tentadores e prometendo enviar os produtos ao endereço fornecido após o pagamento.
Prevenção: Sempre que observar esse tipo de comportamento em uma rede social, desconfie, não interaja e avise o usuário da conta invadida por outro canal.
CASO SEJA VÍTIMA DE ALGUM DESSES GOLPES, SIGA ESTE PASSO A PASSO:
1.Comunique seu banco ou a instituição financeira imediatamente.
Se a transferência foi realizada via PIX, conteste todas as operações diretamente pelo aplicativo do banco e solicite o acionamento do Mecanismo Especial de Devolução (MED), requerendo a instauração de procedimento interno para bloqueio cautelar e restituição do valor perdido em razão do golpe/fraude.
Caso a transação envolva criptomoedas, comunique imediatamente sua corretora, mas saiba que será indispensável a atuação de um advogado especializado em fraudes e golpes envolvendo criptoativos, já que não é possível desfazer esse tipo de transação.
Por fim, registre, salve e formalize todas as conversas e protocolos, pois esses documentos serão essenciais para as medidas administrativas e judiciais posteriores.
2.Faça um boletim de ocorrência.
Isso o resguardará de eventuais práticas de ilícitos em seu nome;
3.Troque suas senhas.
Caso tenha realizado um suposto “cadastro” em sites ou permitido acesso remoto ao seu dispositivo (compartilhamento de tela via ligação de vídeo), substitua todas as senhas relacionadas por novas senhas de alta complexidade e nunca antes utilizadas;
4. Procure orientação de um advogado especializado em Direito Digital.
Após ser vítima de um golpe que resulta em perda financeira, é natural que a pessoa se sinta impotente e envergonhada e, com isso, tenha dificuldade de tentar lidar com a situação sozinha. Por isso, é crucial buscar a orientação de um advogado experiente, que poderá compreender melhor o caso e oferecer explicações sobre possíveis soluções, inclusive eventual reparação por danos materiais e morais.
Lembre-se de que apenas com a conscientização e a adoção de medidas preventivas podemos proteger nossa integridade financeira no cenário digital. Não subestime a astúcia dos fraudadores; informe-se, desconfie e se mantenha sempre vigilante.
Sua cautela no meio digital é sua maior aliada contra os golpes modernos.
Confira algumas das avaliações de clientes que confiaram no Dr. Guilherme Millas para solucionar demandas relacionadas ao Direito Digital: